Santos-Guarujá

Santos-Guarujá

1 de janeiro de 2019 0 Por José E. Sales

Este é o primeiro post da seção “Memórias das Estradas”. Nela, iremos publicar relatos de viagem em linhas rodoviárias ou suburbanas. Como não tenho nenhuma viagem recente, vou começar com uma que fiz no natal de 2010 rumo à Santos. Alguns meses antes, a Viação Cometa havia começado a operar a linha São Paulo-Santos, que era da Expresso Brasileiro.

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(Publicado originalmente em 03/01/2011)

Era domingo pós-natal, 26/12/2010. Sem ter o que fazer em casa, resolvi descer a serra. Fui ao Terminal Rodoviário do Jabaquara e comprei uma passagem para Santos. O ônibus partiu do Terminal Jabaquara às 9h20 da manhã. Era uma manhã ensolarada e bonita. O ônibus partiu com metade de sua lotação. O veículo em que estávamos era um Marcopolo Paradiso 1050 Geração 7, prefixo 10258, chassi Mercedes Benz O500RS, convencional, 46 lugares – sendo dois, as poltronas 7 e 8, sinalizados para passageiros com necessidades especiais -, equipado com ar condicionado. O veículo era simples, mas confortável. Não tinha banheiro nem porta separando o motorista do salão de passageiros, assim como seus antecessores G6 da Expresso Brasileiro. Possuia um bom espaçamento entre os bancos. Não tinha encosto de pernas o que, para mim, era ótimo, devido a minha altura. Boa reclinação dos bancos. Um detalhe interessante neste G7 é referente às pequenas lâmpadas que ficam sobre os bancos. A disposição das lâmpadas e da pequena saída de ar ficou boa para o banco do passageiro ao lado do corredor. Normalmente elas ficam junto à outra lâmpada, do passageiro da janela, o que jogava parte da luminosidade para este. Entre as duas lâmpadas, foi colocada uma tampa, semelhante a de uma caixa de som. Da maneira como foi configurado este G7, as lâmpadas e a saída de ar ficaram sendo, realmente, do dono do banco do corredor.

A descida prometia ser rápida. Esperava-se não haver trânsito já que, por ser um domingo de manhã, pós Natal, era de se imaginar que boa parte dos que iriam sair da cidade já o tinha feito. Mas acabou ficando só na imaginação. Logo depois do primeiro pedágio, começou uma enorme fila de carros. Mas o ônibus só pegou um pequeno trecho do congestionamento, visto que ele teve de sair da Rodovia dos Imigrantes. Veículos maiores, como caminhões e ônibus, não podem descer a serra por esta via e sim pela Rodovia Anchieta. Logo, o ônibus pegou um acesso que o levou à Rodovia Anchieta, por onde desceu a serra. Mas, mesmo na Anchieta, acabou pegando um trecho de lentidão, provocado pelo engavetamento de quatro carros no meio da serra.

Passado o congestionamento, a viagem foi rápida. Logo estávamos na Rodoviária de Santos. Mas, atenção: a viagem não termina aí. Na Rodoviária de Santos desembarcam apenas quem vai desembarcar nela. Eu, novato nessas viagens, quase desembarco por engano na Rodoviária. O destino final é a Ponta da Praia, logo após os canais, no Ferry Boat, onde fica o terminal de balsas que liga Santos ao Guarujá. São mais 30min de viagem. Nesse trecho, entre a Rodoviária e a Ponta da Praia, os passageiros podem ir desembarcando nos pontos de ônibus das avenidas do trajeto. Ele não segue pela orla da praia inteira. Ele entra nela nas proximidades do canal 4, seguindo até próximo à Ponta, onde deixa a via para fazer o retorno e para estacionar em frente ao posto. Às 11h40 chegamos à Ponta da Praia, com cerca de 40min de atraso. De acordo com a tabela horária, a previsão é que a viagem total tenha, pelo menos, 1h40.

Deixando o ponto final do ônibus, sigo para o Ferry Boat, logo ao lado. Ferry Boat é o local onde se concentram os barquinhos que fazem a travessia de pedestres entre as cidades de Santos e Guarujá. No sentido Santos-Guarujá não se paga passagem. Já no sentido Guarujá-Santos, paga-se R$ 2,10 para fazer a travessia.

Do outro lado, no Guarujá, peguei um ônibus urbano. Peguei a linha 03-Terminal Vicente de Carvalho, a viação Translitoral. A viagem seguiu e fui observando a paisagem. Até a Rodoviária do Guarujá o asfalto é razoável e a paisagem é mais, digamos, urbana. Passado o viaduto que se segue, o que vemos é um retrato de muita pobreza. Nas margens da Av. Santos Dumont, muitos caminhões ficam estacionados. Apesar se serem, em sua maioria, antigos e estarem em péssimo estado de conservação, são esses caminhões que levam os contêineres com cargas para o Porto de Santos.

Logo, após passar por outro centro comercial, chego ao Terminal Vicente de Carvalho. De lá, pegou outra linha pra voltar, a 033 Terminal Ferry Boat. Como o nome no itinerário de volta era o mesmo da 003, achei que seguiam pelas mesmas vias… Ledo engano. A 033, ao invés de seguir direto, vai cortando vários bairros que margeiam a Av. Santos Dumont. Aliás, a situação é muito pior do que a vista na avenida principal. Essas vias secundárias tem um asfaltamento horroroso – buracos e remendos aos montes -, ruas sujas, carros e caminhões velhos e em estado precário estacionados em ruas residenciais – isso quando não estão “depenados” – e carretas largadas em vários lugares. Realidade bem diferente das nobres áreas das praias da “Pérola do Atlântico”…

Chegando ao Ferry Boat, pego o barquinho de volta para o lado de Santos. Já em terra santista, observo uma fila enorme para a Balsa da Dersa (Departamento de Estradas de Rodagem S. A., órgão ligado ao Governo do Estado) que leva os carros para o Guarujá. Pergunto a um fiscal da travessia se pedestres poderiam usar a balsa. Ele diz que sim mas tem de esperar a balsa que tem espaço para pedestres. Curioso, aguardo essa balsa.

Mais uns 15min, e essa balasa, chamada de “Balsa Mista” atraca. Eu subo e faço um “bate-e-volta” nela. Eu a achei essa travessia muito melhor do que andar no barquinho. Estar ao ar livre em alto mar é muito gostoso. Mas, em termos de velocidade – que é o que a maioria das pessoas quer que cruzam a divisa quer -, os barquinhos do Ferry Boat são mais apropriados.

Por volta das 14h50, comprei a passagem de volta, no posto da Viação Cometa, na Ponta da Praia, em Santos. Aliás, assim como na Rodoviária do Jabaquara, o posto da Cometa é vizinho aos postos da Expresso Luxo e da Rápido Brasil e Ultra. O rapaz do antendimento, diz que a viagem começaria em cinco minutos depois. Já o motorista autoriza e eu adentro o veículo e aguardo o início da viagem. O veículo da volta era igual ao da ida: Marcopolo Paradiso 1050 G7, chassi Mercedes Benz O500RS, prefixo 10257.

Pouco antes da 15h00, o ônibus começa sua viagem rumo à Rodoviária de Santos. Além de mim, haviam outros poucos passageiros. Assim como na ida ele foi deixando passageiros nos pontos, na volta ele foi pegando outros que seguiriam rumo à Rodoviária. Esses que ele foram subindo dentro da cidade de Santos, ao chegar na Rodoviária, tinham de descer para comprar a passagem para São Paulo. Se tivessem sorte, poderiam voltar no próprio carro em que chegaram à Rodoviária.

Meia hora depois, o ônibus estaciona em uma das baias da Rodoviária de Santos. Todos os passageiros que subiram no trajeto Ponta da Praia-Rodoviária desceram para comprar a passagem. Mas nenhum deles conseguiu voltar no 10257, já que a plataforma já estava lotada de passageiros que já haviam comprado sua passagem. Os fiscais da Viação Cometa, rapidamente, abriram o bagageiro e foram colocando as malas desses passageiros. Enquanto isso, quem tinha somente bagagem de mão, foi subindo e se acomodando.

Cerca de dez minutos depois, quando todos os passageiros já estavam acomodados, começa a viagem de volta. O ônibus deixou a rodoviária santista com cerca de 75% dos bancos ocupados.

A volta foi feita pela Rodovia dos Imigrantes, que estava configurada para subida, enquanto a descida era feita pela Rodovia Anchieta. A subida da serra teve transito, chuva e nevoeiro. O ônibus subiu bem. O único inconveniente era o bagageiro interno, que balançava com a trepidação do ônibus, fazendo um barulho que incomodava.

O transito já começou no pé da serra. Antes mesmo de entrar na Rodovia dos Imigrantes, já havia uma fila grande de carros. Quando conseguiu adentrar na Rodovia, o ônibus seguiu praticamente em comboio com os carros, tão lenta era a velocidade dos veículos.

Já no alto da serra, depois dos vários túneis da Rodovia, o trânsito melhorou. A viagem seguiu tranquila pela via até que, por volta das 17h00, o ônibus adentra o Terminal Jabaquara.

Viajar de ônibus até a  Ponta da Praia é, sem dúvida, a melhor pedida. Detalhe: o preço da passagem é praticamente o preço do pedágio das Rodovias que dão acesso ao litoral. Sem falar na possibilidade de pode observar a bela paisagem da descida da serra.

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